Fotografei você na minha Rolleiflex

•outubro 16, 2011 • Deixe um comentário

Xandra - Madrid / Maíra Soares © 2011

Meu sogro me emprestou sua Rolleiflex essa semana. Outro dia me perguntou se ainda existiam carretes de medio formato (filme 120mm) e comentou que tinha uma câmera guardada e sem uso há anos.

Quando recebi o brinquedinho esses dias, vi que ele estava em perfeito estado. Corri para a página da Rolleiflex e descobri que se trata da série 3.5F Model 3, fabricada entre 1960 e 1964.

No começo do ano eu fiquei algumas semanas com uma Hasselblad emprestada e fiz alguns retratos. Tive a oportunidade de levar a câmera para Paris e fotografar a cidade das luzes com esse clássico aparelho fotográfico. A Hassel me causou alguns transtornos, volta e meia falhava, estava um pouco frágil e chegou a travar na primeira foto que eu fiz durante a viagem. Fiquei com medo de ter entrado numa roubada ao ter pego ela emprestada, mas por sorte me indicaram um fotógrafo que morava na cidade, que gentilmente me recebeu em sua casa numa tarde de sábado e me ensinou alguns truques para lidar com a bichinha.

Paris / Maíra Soares © 2011

Fotografar com uma câmera de médio formato como essas tem um outro tempo. Há quem defenda que a digital só muda o comportamento do fotógrafo porque ele se deixa levar pelo impulso de clicar compulsivamente e checar constantemente o resultado de cada clique. Não necessariamente precisaria ser assim, com a digital na mão poderíamos nos condicionar a esquecer a tela brilhante e pensar mais antes de cada clique.

Maria Isabel - Madrid / Maíra Soares © 2011

Mas existe uma magia em fotografar com película. Existe um tempo próprio. A começar pelo custo de cada fotograma, não queremos desperdiçar uma foto sem elaborá-la bem. Cada carrete tem 12 fotogramas – e não há garantia de que teremos 12 fotos inteiras, a primeira e a última são sempre um risco na hora da revelação, podem ser cortadas ao meio. O resultado é que selecionamos “melhor” antes do clique. Poderíamos nos comportar assim com a digital, mas duvido que os fotógrafos não sintam essa diferença ao migrar de um suporte a outro.

Diego e Sebastian - Madrid / Maíra Soares © 2011

Outro motivo para nos determos durante o ato fotográfico é que demora um tempo para nos acostumarmos com o visor da câmera, que inverte a cena enquadrada. Ainda não me acostumei com esse detalhe e isso me obrigou a insistir em ângulos, enquadrar e reenquadar. Pratiquei pouco com a Hassel, agora estou empolgada para retomar os “estudos” com a Rolleiflex.

Paris / Maíra Soares © 2011

Finalmente, parte do encanto, especialmente para fazer retratos, se dá ao fato de não situarmos a câmera diante dos olhos ao enquadrar o outro. Sem um objeto nos tapando o rosto, mais precisamente com a câmera posicionada na altura do peito, a relação entre fotógrafo e fotografado se torna mais íntima. Esse olho no olho para mim esse é o motivo de maior fascínio destas câmeras.

Entrefaces

•julho 5, 2011 • Deixe um comentário

A few years ago I decided to face myself and say goodbye to parts of me that wouldn’t let me be myself. I had recently discovered that my mother was sick and the idea of facing her death made me think about my own life and how much I knew me. How could I consider I was alive if I was being untrue with myself?

While I stripped the old person I was I felt a huge emptiness inside. At first I got scared but then I got used to the idea that my journey had just started and I had no reasons to hurry.

This series is about this feeling of transformation, the acceptance of death, the death that means a new start. It’s about the beauty of letting die old patterns and identities and facing the emptiness and unexplored future. I don’t know what person is under these textures but I am willing to meet her when she is ready to appear.

Retirado de: www.efti.org

A Paris antiga de Atget

•junho 30, 2011 • Deixe um comentário

Retrato de Atget feito por Berenice Abbott em 1927, ano de sua morte

“Atget no fue un esteta. Era una pasión dominante lo que le empujaba a registrar la vida. Con la lente maravillosa del sueño y la sorpresa, “fue” (es decir, fotografió) prácticamente todo lo que le rodeaba, dentro y fuera de París, con visión de poeta. Como artista veía en abstracto y yo creo que consiguió hacernos sentir lo que veía. Fotografiar, registrar la vida, dominar sus temas, fue tan esencial para él como lo era escribir para James Joyce o volar para Lindbergh…”

Berenice Abbott, 1929

Essa semana tive o privilégio de visitar a exposição Eugene Atget – El Viejo París na Fundación Mapfre. O fotógrafo passou mais de 20 anos fotografando a capital francesa obcecado pelo impulso de registrar a arquitetura, o comércio e os costumes da cidade. O resultado foram milhares de fotografias feitas com uma câmera de placa de vidro 18x24cm que ele nunca substituiu. Os negativos estão todos numerados e identificados com sua letra, a exposição apresenta as ampliações originais feitas por Atgét e em algumas é possível reconhecer as anotações do verso da foto.

Interior da casa de um operário, 1910

Em 1920, já satisfeito com seu trabalho, escreve para o diretor de Bellas Artes pedindo que este compre seus negativos. Sem família, tinha medo que suas imagens se perdessem e não viessem a público cumprir seu papel. Explica ao diretor que tinha registrado todas as ruas velhas de Paris, palácios, mansões históricas, fachadas de prédios e casas, detalhes arquitetônicos e até mesmo interiores de casas. “Puedo decir que tengo en mi poder todo el viejo París”.

Essa parte da exposição me deixou especialmente fascinada por apresentar interiores de casas de pessoas simples, desde operários, atores e pessoas da alta sociedade.

O compromisso pessoal com que assumiu essa larga reportagem sobre Paris me lembrou o ensaio de August Sander sobre Os Homens do Século XX. Sander retratou membros da sociedade alemã de todas as classes e profissões, apontando sua lente para revolucionários, burgueses, homens, mulheres, artistas, operários, crianças, trabalhadores, mendigos, comunistas, ciganos e negros. Seu foco é mais o retrato, porém a ideia de fotografar uma época sistematicamente para construir um registro histórico é um paralelo do que Atget fez em Paris, não apenas com retratos.

August Sander

Era novidade a possibilidade dos fotógrafos levarem suas câmeras às ruas e só mesmo o compromisso artístico pode explicar como esses dois fotógrafos seguiram com seus ensaios por tantos anos, circulando pelas ruas com um equipamento tão pesado.

August Sander produziu um amplo catálogo visual da sociedade alemã no início do século XX. Apesar de censurado durante a era de Hitler e da perda de cerca de 30 mil negativos num incêndio em sua casa em 1946, August seguiu com sua jornada fotográfica. Hoje temos acesso a apenas uma parte de sua produção, que já é preciosa. Imagine o que foi perdido…

Mais informações sobre a exposição de Eugène Atget podem ser vistas no site da Fundación Mapfre.

Divas do Samba – Ângela Maria

•abril 18, 2011 • 1 Comentário

Ângela Maria começou a cantar na igreja. Desde pequena ouvia seu pai cantando hinos evangélicos e a proximidade com a música a fez sonhar em ser cantora. No entanto, por saber que a família jamais aceitaria sua escolha, participava de programas de calouros às escondidas, com o pseudônimo que levaria por toda a vida. Abelim Maria da Cunha, seu nome de batismo, nasceu em 1928, em Conceição de Macabu, Rio de Janeiro.

Ganhava todos os concursos. Não tardou para que fosse convidada a ser crooner, em seguida descoberta pelas rádios e logo gravaria seu primeiro disco, em 1951. Na década de 50, conquistou várias anos o título de Rainha do Rádio, sua popularidade era tremenda. Elis Regina e Milton Nascimento são dois músicos que tiveram Ângela Maria como referência maior.

Cantava de tudo, desde tangos, boleros, baladas até sambas, mas consagrou-se mesmo interpretando sambas-canções, gênero que revelou também Maysa, Nora Ney e Dolores Duran.

Angela gravou mais de 100 discos em sua carreira. Não tive oportunidade de acompanhar a entusiasmo que sua voz causava nas rádios, pouco ouvi de sua atuação antes de baixar alguns de seus discos pela rede.

O que marcou para mim foi sua participação no filme Rio Zona Norte, de Nelson Pereira do Santos, em que contracena com o personagem de Grande Otelo, um sambista de morro que sonha em ter uma samba gravado em sua voz. Ângela interpreta a si mesma, recebendo das mãos de Grande Otelo um papel rabiscado com o rascunho de um samba de Zé Kéti, Malvadeza Durão. A cena é sem dúvida a mais bonita do filme, a expressão de Grande Otelo ao ouvir suas palavras saindo da boca de Ângela Maria é emocionante. E ela é divina, de paralisar o público.

Divas do Samba – Clementina de Jesus

•abril 15, 2011 • 1 Comentário

Clementina de Jesus nasceu em 1903, em Valença, no Rio de Janeiro. Desde criança acompanhava sua mãe ao trabalho de lavadeira e a escutava cantando modas, pontos e cantos de trabalho. Décadas mais tarde incluiria essas canções em seu repertório. Antes entrar para o meio artístico, no entanto, Clementina trabalhou mais de 20 anos como empregada doméstica. Sua carreira como cantora começou no início dos anos 60, quando casualmente foi descoberta pelo poeta Hermínio Bello de Carvalho cantarolando na Taberna da Glória.

De uma simplicidade imensa, que se pode conferir no sorriso e olhar terno dos vídeos espalhados pela rede em que ela aparece, essa mulher trazia em sua voz um peso ancestral, evocando a cultura africana, através de cânticos que aprendeu com a mãe, que era filha de escravos.

O contato com o samba também marcou sua trajetória. Em 1965, Hermínio Bello de Carvalho criou o espetáculo Rosa de Ouro, em que ela cantava ao lado de Elton Medeiros, Nelson Sargento e Paulinho da Viola, que estava em início de carreira. O sucesso foi tanto que o grupo circulou do Rio para São Paulo e Bahia e gravou dois LPs com as músicas do show.

O entusiasmo contagiou Elizeth Cardoso, que assistiu ao espetáculo inúmeras vezes e entrou em contato com Hermínio para gravar ela própria parte do repertório. Assim nasceu a parceria entre os dois e o disco Elizete Sobe o Morro, com canções de Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, Paulinho da Viola, Cartola, Candeia, Nelson Sargento e afins.

Clementina conquistou diversos músicos, tendo participado de discos de João Bosco, Milton Nascimento e Alceu Valença. Outro disco histórico foi Gente da Antiga, em que gravou ao lado de Pixinguinha e João da Baiana.

Clementina morreu aos 85 anos, em 1987. Para finalizar esse post deixo o clipe do samba Partido Clementina de Jesus, feito por Candeia em sua homenagem e gravado por ela e Clara Nunes. A versão do youtube está bem lavada, mas o importante é ter acesso ao vídeo.

Divas do Samba – Nara Leão

•abril 14, 2011 • 1 Comentário

Esses dias comecei a pesquisar sobre as mulheres que tiveram papel fundamental para a história do samba brasileiro. Sem me preocupar com ordem cronológica, comecei por Nara Leão.

Sempre me atraí por sua história de garota de família rica e bem relacionada, que começou a estudar violão aos 11 anos e presenciou nada menos que o nascimento da bossa nova no apartamento de seus pais em Copacabana, pois lá aconteciam rodas com músicos como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Ronaldo Bôscoli, seu namorado na época. Até João Gilberto se juntou ao grupo num determinado momento. Essa proximidade com o grupo lhe rendeu o título de “musa da bossa nova” e várias canções foram a ela dedicadas, como O Barquinho, Se é Tarde me Perdoa, Lobo Bobo. Mais tarde encomendaria uma canção a Chico Buarque e seria brindada Com Açúcar, Com Afeto.

O início de sua carreira aconteceu quando subiu no palco com Vinicius de Morais e Carlos Lyra no musical Pobre Menina Rica. O que ninguém  esperava é que no ano seguinte, em 1964, a musa da bossa lançasse seu primeiro disco com “sambas de morro”, como Diz que Fui por Aí (Zé Kéti e Hortêncio Rocha), O Sol Nascerá (Cartola e Elton Medeiros), Luz Negra (Nelson Cavaquinho e Hiraí Barros).

A seleção gerou polêmica entre os seguidores da bossa-nova, Nara foi a primeira cantora branca, da zona sul, a homenagear sambistas esquecidos. E ela não pararia por aí. Seu próximo LP, Opinião de Nara, gravado no mesmo ano, teria mais músicas de Zé Kéti: Opinião e Acender as Velas. Daria origem ao espetáculo Opinião, dirigido por Augusto Boal, que teria no elenco ela, Zé Kéti e João do Vale.

O show fazia crítica social à repressão imposta pelo regime militar. No ano seguinte, impossibilitada de atuar por estar afônica, Nara convidou Maria Bethânia, então estreante, para substituí-la. Dessa forma teve participação na projeção da intérprete baiana, que lindamente nos brindou com sua interpretação de Carcará (João do Vale e José Cândido) durante o espetáculo.

Em 1966, é vencedora do II Festival de Música Popular Brasileira da Record ao interpretar A Banda, de Chico Buarque. Sempre engajada e atual, Nara lançou vários músicos da MPB, como Chico, Paulinho da Viola e Sidney Miller. Também foi uma das primeiras a apoiar o movimento da Tropicália, que reivindicaria novas influências musicais nos finais da década 60. Em 1972, participou de Quando o Carnaval Chegar, filme de Cacá Diegues, ao lado de Chico Buarque e Maria Bethânia.

Nara faleceu em 89, vítima de um tumor no cérebro. Tinha apenas 47 anos. Quem tiver curiosidade para conhecer mais a cantora pode apreciar a leitura do artigo Nara: o Pássaro e o Leão, de Augusto Buonicore, no Portal Vermelho.

Madrid – capítulo um

•fevereiro 22, 2011 • 2 Comentários

Que dizer dessa cidade?

Palácio Real, Madrid

É viva. A primeira impressão depois que fiz as pazes com ela. Cheguei em Madrid com o pé esquerdo. Era véspera de ano novo, 4 da tarde, quando aterrissei na Espanha. Minha primeira viagem à Europa, minha primeira despedida do continente americano se dava aos 30 anos. Depois de alguma semanas turbulentas de preparo de viagem, dúvidas internas – não sabia mais se teria sentido passar um ano na Espanha – estava embarcando no aeroporto após horas de conversa com meu irmão no aeroporto internacional de São Paulo. Minha família passava por uma verdadeira tormenta emocional e lá estava eu me despedindo de todos num momento muito difícil, insegura da minha decisão de seguir meus planos pessoais.

Onze horas para chegar a Madrid foram tempo suficiente para folhear o guia Lonely Planet que ganhei de presente da minha melhor amiga em busca de um restaurante para fazer minha ceia sozinha. Seria uma noite simbólica. Eu tinha amigos morando em Madrid, mas nenhum deles estava na cidade quando cheguei, eu sabia que estaria por mim mesma na virada do ano. Minha meta era encontrar um lugar charmoso para comer e quem sabe conhecer alguém, um grupo de amigos.

Decidi ir para Bilbao. Deixei as malas na casa de uma amiga que estava em Barcelona e corri para o metrô. Em Bilbao, tudo fechado. Eu me sentia sem graça por ter imaginado que a véspera do ano novo seria uma noite como outra qualquer em outras cidades grandes que não São Paulo. Eu ainda me depararia com muitas diferenças culturais para coisas que eu nunca imaginei que poderiam ser de outra forma. Um pouco da graça de morar fora está nisso. Um pouco do perrengue também.

Obrigada a improvisar, caminhei até meu destino final: Puerta de Sol, a praça central da cidade onde tradicionalmente uma multidão se reúne para comer 12 uvas à meia-noite. No caminho encontraria um restaurante, pensei, era sexta-feira à noite, só que quanto mais eu andava mais desconfiava que estava enganada. Acabei comendo um “Pedaço de Pizza” perto do metrô Tribunal e desci a Calle Fuencarral a pé. Eu sempre estou disposta a reinventar meus planos, mas decididamente tive que me esforçar para manter o bom humor ao encarar minha ceia de ano novo. Eu ainda estava baleada do cansaço e da alergia que peguei do ar condicionado do avião.

Na Praça Puerta de Sol, uma multidão de gente. Descobri um café aberto e pedi uma cerveja. Torci o nariz ao ver a galera fumando dentro do café – no dia seguinte começou a lei anti-fumo dentro dos bares, para minha felicidade. A cerveja não foi uma boa ideia, acentuou o sono provocado pelo antialérgico e eu já olhava o relógio impaciente. Ainda são 22h?

Sim, como de costume fiz alguns amigos e me convidaram pra comer uvas na praça com eles. Quando me vi no meio daquela multidão mais apertada que a última Parada Gay de São Paulo que consegui ir me senti… velha. Eu não tenho mais idade para isso, pensei. Me despedi da turma e sumi de cena. Era quase meia noite quando sentei num banco de praça e fiquei observando a cidade à noite, numa esquina movimentada de muitas luzes. Minha primeira noite em Madrid, a última noite do ano. Meu primeiro ano morando em outro país, longe da família, dos amigos, do centro de São Paulo, das rodas de samba. Uma sensação forte de vazio, um vazio que não era tristeza e sim de total falta de ideia do que aconteceria a partir de então. Um vazio instigante, assustador e animador ao mesmo tempo. Nada seria como antes, eu estava livre para desenhar meu caminho como bem entendesse e para experimentar tudo o que potencialmente aquela viagem tinha para me oferecer.

2011 seria um ano todo dedicado a mim, a investigações pessoais, a me conhecer melhor distante de minhas referências culturais, do contexto familiar, do conforto de saber os percursos possíveis para chegar onde eu queria. Eu teria que descobrir como participar daquele novo mundo, o velho continente, revendo meus conceitos, meus sonhos, meus jeitos, observando o modo de vida daqui. Seria o tempo de rasgar meu caminho e fechar as feridas, como diria o Paulinho da Viola. Tempo de me rever, respirar fundo e reconstruir.

Nessa hora eu desci para o metrô. Estava muito feliz de estar lá e já tinha combinado que passaria o ano novo sozinha, estava muito tranquila. Passei a virada embaixo da terra. As estações estavam desertas e eu explorava as linhas de metrô daquela que passaria a ser minha cidade, sem ter ideia para onde elas iam, do que estava em cima dela, sem ter ideia de qual estação seria a mais próxima da minha nova morada.

Em casa abri uma cerveja e brindei meu ano novo. Uma página em branco que eu preencheria a partir daquele momento.

à procura de mim no parque do retiro

Na primeira semana em Madrid encontrei um quarto pra alugar em Gran Vía, no centro da cidade. Eu estaria cercada por cinco linhas de metrô, do lado de uma praça, com várias lojas que comics, uma região de putas, chinos e gays. Muito similar à diversidade que eu encontrava morando na Roosevelt, ainda que bem diferente. Eu dividiria com uma espanhola – uma das metas da viagem é aprender espanhol -, estudante de arquitetura, que adorou a ideia de morar com uma brasileira pois assim teria contato com uma cultura nova e aprenderia um pouco de português.

Na manhã seguinte peguei um trem e fui a Barcelona encontrar meus amigos. Todos me diziam que eu não me acostumaria com Madrid depois de ter visto a tão esbelta Barcelona. Claro que me apaixonei pela cidade praiana e por uns dias senti temor de não me acostumar com a Madrid que me fechou as portas logo de cara.

Só que Madrid me enfeitiçou logo que voltei e fiz as pazes com ela. Caminhando pelo centro, fui cativada por seus cafés, suas ruas estreitas, seus prédios cheios de sacadas, suas praças, o Palácio Real, as luzes à noite, a quantidade de pessoas circulando. Madrid tem vida. Como diria um cara de Valência que conheci outro dia, “Madrid tiene alma, tiene magnetismo, es una ciudad que te atrapa”. Ele também me alertou que é uma experiência vital, porém isso deixarei para constatar no futuro.

 
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