Um dos passeios que mais curti fazer durante minha viagem para São Francisco, no ano passado, foi visitar o Mission District, bairro onde se concentram os moradores de origem latina, em especial os mexicanos. Foi lá que tive a oportunidade de fotografar uma quantidade infindável de murais.
Eles eram especialmente bonitos. Encontrei desenhos feitos há muitos anos, um deles de 1984 que está praticamente intacto, apenas deteriorado pela ação do tempo. Há muitos becos que são famosos pelos murais e que valem o passeio, como Balmy e Clarion Alley. Muitos dos desenhos me chamaram atenção pelo engajamento político e a ligação com a cultura hispânica. Não poderia ser diferente, dado que esse pedaço de terra já foi do México e hoje eles vivem na região como imigrantes. Mas os temas variam bastante, sendo possível ver tanto imagens do candomblé quanto de imagens sagradas do oriente.
Fiquei comovida com os traços de Joel Bergner, artista de El Salvador que reconheci em pelo menos três pontos diferentes do bairro. Ele fala da saudade, insere cenas de sua terra, da mulher e dos filhos que deixou para trás. Há também referências à capoeira, o que me fez suspeitar que ele fosse brasileiro até encontrar sua assinatura em um dos painéis. E foi só pesquisar na internet para descobrir que o mural Under the Sun of the Orishas, que ele desenhou com imagens de candomblé e capoeira, era uma homenagem à Casa de Candomblé Mãe Conceição, em Salvador, na Bahia.
O passeio pela região também vale pelas casas vitorianas, que estão presentes em toda São Francisco. Foi lá que fotografei uma das mais bonitas que vi durante a viagem.
Outras imagens dos murais podem ser vistas no meu flickr.














