Divas do Samba – Ângela Maria
Ângela Maria começou a cantar na igreja. Desde pequena ouvia seu pai cantando hinos evangélicos e a proximidade com a música a fez sonhar em ser cantora. No entanto, por saber que a família jamais aceitaria sua escolha, participava de programas de calouros às escondidas, com o pseudônimo que levaria por toda a vida. Abelim Maria da Cunha, seu nome de batismo, nasceu em 1928, em Conceição de Macabu, Rio de Janeiro.
Ganhava todos os concursos. Não tardou para que fosse convidada a ser crooner, em seguida descoberta pelas rádios e logo gravaria seu primeiro disco, em 1951. Na década de 50, conquistou várias anos o título de Rainha do Rádio, sua popularidade era tremenda. Elis Regina e Milton Nascimento são dois músicos que tiveram Ângela Maria como referência maior.
Cantava de tudo, desde tangos, boleros, baladas até sambas, mas consagrou-se mesmo interpretando sambas-canções, gênero que revelou também Maysa, Nora Ney e Dolores Duran.
Angela gravou mais de 100 discos em sua carreira. Não tive oportunidade de acompanhar a entusiasmo que sua voz causava nas rádios, pouco ouvi de sua atuação antes de baixar alguns de seus discos pela rede.
O que marcou para mim foi sua participação no filme Rio Zona Norte, de Nelson Pereira do Santos, em que contracena com o personagem de Grande Otelo, um sambista de morro que sonha em ter uma samba gravado em sua voz. Ângela interpreta a si mesma, recebendo das mãos de Grande Otelo um papel rabiscado com o rascunho de um samba de Zé Kéti, Malvadeza Durão. A cena é sem dúvida a mais bonita do filme, a expressão de Grande Otelo ao ouvir suas palavras saindo da boca de Ângela Maria é emocionante. E ela é divina, de paralisar o público.




Oi Maira, ao ler o seu texto lembrei-me de um vinil da Ângela Maria que ficava abraçado entre dois do Jamelão na casa dos meus tios…
O sorriso do Grande Otelo é magnifico. Tão belo quanto à expressão humilde com o papel rabiscado nas mãos dizendo: “Eu trouxe uma samba pra mostrar pra senhora”…
Gracias.