músicas para morrer

Eu não esperava que meu primeiro post no blog fosse sobre música, mas nessas últimas semanas tenho me mobilizado por conta de um exercício que estamos vivenciando no grupo do Caminho do Canto. A Andrea Drigo nos propôs trabalhar com o tema da morte e desde a semana passada tenho visitado meus discos e mp3 atrás de canções que falem sobre esse tema. Ela disse para selecionarmos a canção a partir da idéia “com essa música eu quero morrer”, porém me distanciei da idéia de morte física e estou pesquisando o que em mim eu quero deixar para trás. Estava claro que a intenção era trabalhar com essa perspectiva.

A própria vivência do Caminho do Canto busca identificar aquilo que nos impede de exercer nosso canto – no fundo uma metáfora da nossa postura perante a vida. E o que não é a morte se não uma possibilidade de nos tornarmos mais lúcidos e mais vivos? Para viver é preciso deixar morrer dentro de nós o que nos bloqueia.

O Caminho do Canto

Quem canta em mim? O que me impede de cantar? Como limpar esse caminho e permitir que meu canto se revele?

Não faltam letras de música que falem disso e eu simplesmente pirei quando me vi diante de tantas opções maravilhosas. Por fim, ontem morri com uma música gravada pelo Ney Matogrosso, que até então nunca soube que tinha sido composta por Fred Martins e Alexandre Lemos. O que importa é que essa música sempre me tocou e só ontem me debrucei verdadeiramente sobre sua letra e mensagem.

Novamente – Ney Matogrosso

Composição: Fred Martins / Alexandre Lemos

Me disse vai embora, eu não fui
Você não dá valor ao que possui
Enquanto sofre, o coração intui
Que ao mesmo tempo que magoa o tempo
O tempo flui
E assim o sangue corre em cada veia
O vento brinca com os grãos de areia
Poetas cortejando a branca luz
E ao mesmo tempo que machuca o tempo me passeia

Quem sabe o que se dá em mim?
Quem sabe o que será de nós?
O tempo que antecipa o fim
Também desata os nós
Quem sabe soletrar adeus
Sem lágrimas, nenhuma dor
Os pássaros atrás do sol
As dunas de poeira
O céu de anil no pólo sul
A dinamite no paiol
Não há limite no anormal
É que nem sempre o amor
É tão azul

A música preenche sua falta
Motivo dessa solidão sem fim
Se alinham pontos negros de nós dois
E arriscam uma fuga contra o tempo
O tempo salta

Confesso que poderia ter tido uma morte melhor se tivesse decorado a letra antes de cantá-la na aula. Porém, o exercício continua e daqui a quinze dias tenho que levar outra música para cantar. Hoje já selecionei duas opções, uma gravada pela Elis Regina e outra pela Mariana Aydar, no seu mais recente CD lançado.

Canção de não cantar – Elis Regina

Composição: Sérgio Bittencourt

Guarda o meu violão
Já nos faltam canções
São muitas as razões que temos pra cantar
Mas, hoje, amor melhor é não cantar
Enquanto houver em nós vontade de fugir
De um canto que na voz não vai saber mentir
Meu canto para ser um canto certo
Vai ter que nascer liberto, e morar no assovio
Do ocupado e do vadio
Do alegre e do mais triste
Só há canto quando existe muito tempo e muito espaço
Pra canção ficar, se eu passo, e dizer o que eu não disse
Ai, que bom se eu ouvisse o meu canto por aí
Por isso, meu violão prefere emudecer
E vem pedir perdão por não poder cantar
Que, hoje, amor, melhor é não cantar

Florindo – Mariana Aydar

Composição: Duani

Por que você chora tanto e sofre sem ter motivo
Vai, deixa todo esse rancor pra trás
Que a vida vem sorrindo pra nós dois
Quem bom ver você florindo desperta, cheia de luz e de verdade
Deixa fugir do seu peito essas marcas de um passado que só vão te magoar
Por que você chora tanto e sofre sem ter motivo
Vai, deixa todo esse rancor pra trás
Que a vida vem sorrindo pra nós dois
Quem bom ver você sorrindo desperta, cheia de luz e de verdade
Deixa fugir do seu peito essas marcas de um passado que só vão te magoar, paixão
Quem quer viver bem no presente encontra o seu lugar
Seu lugar nos braços do sossego
Enquanto uns dizem que o tempo não para
Outros dizem que o tempo não passa de ilusão, ilusão
Deixa estar que a vida é mais sábia
Cada coisa tem seu tempo
E esses pensamentos não passam de nuvem rasa
E todo esse sofrimento não pertence à sua casa
Cesso esse tormento, enxugo todo o seu pranto
Com a força do sentimento que carrego no meu canto

~ por Maíra em abril 15, 2009.

Uma resposta to “músicas para morrer”

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