viver até dizer adeus

Louise conversando com uma visita em sua casa

Louise conversando com uma visita em sua casa

Quando soube que estava com câncer no seio, Louise passou dias avaliando como seria passar por uma cirurgia e tratamento com radio e quimioterapia. Depois de anos trabalhando num hospital e cuidando de pacientes com doenças terminais, sabia muito bem o que estava a sua espera.

Para Louise, portanto, mais importava a qualidade de vida que a quantidade. Decidiu recusar a cirurgia ou o tratamento por radiação e viver a vida plenamente durante todo o tempo que ainda tivesse disponível.

A partir desse momento, mesmo tendo sofrido a revolta de familiares e amigos que a condenaram pela decisão, Louise descobriu a si mesma. Começou a pintar e expressar sua arte, surpreendendo a todos e a si mesma por ter encontrado a criatividade depois de tantos anos de uma vida sem a menor expressão.

Louise na sala de estar de sua casaEssas e outras histórias são contadas no livro Viver até Dizer Adeus, escrito pela Dra. Elisabeth Kübler-Ross, uma médica estadunidense que dedicou parte de sua profissão e vida acompanhando pacientes com doenças terminais. Seu trabalho era oferecer apoio a esses pacientes – e seus familiares – para que eles pudessem aceitar a morte iminente e se despir de todos os medos, rancores e angústias. O livro descreve o desabrochar dessas pessoas que, quando encaram a morte de frente e eliminam todas as questões mal resolvidas de suas vidas, passam a exercer toda sua criatividade e a viver plenamente, com uma sensação de paz e liberdade.

Aprender a dizer adeus, aceitar a ida de uma pessoa amada, de um pai, um irmão, um filho. Um tabu para a nossa sociedade, que não consegue olhar para a morte de frente. Orientados pela médica, os pacientes ou suas famílias transformam a sala de estar da casa no “quarto” do paciente, para que este possa viver seus últimos dias no lugar mais vivo da casa, em contato com todos os que chegam e se movimentam no lar. Jamie, aos 5 anos, diagnosticada com tumor cerebralAs crianças aprendem a conviver com a idéia de que o parente está indo embora, têm a oportunidade de se despedir e de levar essa experiência para suas vidas, um outro jeito de entender a morte . Ninguém se esconde num quarto vazio e escuro. Nenhuma criança é poupada da dor de ver a mãe ou o irmão se preparando para morrer.

Beth, aos 42 anos, no jardim de sua casa

Além do texto, o livro traz imagens do fotógrafo Mal Marshaw – por sinal, a dupla publicou quatro livros ao todo. Logo no prefácio, Mal explica que se aproximou desse tema depois de ter perdido, num curto período de seis meses, seus pais, um primo e um grande amigo. A fotografia e o contato com a Dra. Kübler-Ross possibilitaram o aprofundamento de sua pesquisa. Algumas das imagens do livro eu tomei a liberdade de escanear e colocar aqui.

Beth, ex-modelo, aos 42, diagnosticada com câncer

“No momento em que somos capazes de nos libertar de nossos medos, no momento em que temos a coragem de passar da rebeldia negativa para o inconformismo positivo, no momento em que temos fé na nossa capacidade de superar tato o medo, quanto a vergonha, a culpa, a negatividade – renascemos como almas mais livres e criativas”.

Dra. Elisabeth Krüble-Roos

em Viver Até Dizer Adeus

~ por Maíra em abril 16, 2009.

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