lembranças em k7

Tarde de sábado. Sozinha em casa, decidi curtir minha ressaca revirando lembranças do passado. Revisitei escritos antigos e parei para ouvir algumas fitas k7 gravadas por meus pais no começo do namoro deles. Ouvi gravações de 77 a 82, com minha mãe grávida da Pri e comemorando seu aniversário e dois anos de namoro. Escutei o Natal de 80, ano em que nasci e até mesmo uma gravação de 82 comigo tentando acompanhar minha irmã cantarolando enquanto meu pai estava ao violão. A Pri com 5 e eu com 2 anos. Todas as fitas com muita música, mas também com conversas soltas entre rodas de amigos. 

Muitas canções próprias de meu pai e alguns amigos. Vivenciei uma conversa longa de meus pais com a Rita, amiga deles desses tempos. A Rita faleceu de câncer há muitos anos. Lembro bem de quando me mudei para Perdizes e meu pai fazia os caminhos mais esquisitos para me deixar em casa. Quando o indaguei, ele confessou que evitava um pedaço da Doutor Arnaldo porque era onde a Rita morava e ele se sentia saudoso de passar por lá. Sempre foi muito emotivo meu pai. Em outra fita, descobri uma música que reconheci como ISO (identidade sonora) da minha infância. Joguei algumas frases na internet e bingo, encontrei a letra num site de poesia que meu pai criou anos atrás. A música era em homenagem à Ritinha, a menina de olhos azuis que eu não me lembro de ter conhecido.

Menina de Olho Azul

Menina de olho azul
De onde é que você vem?
Do lá bemol desta flauta?
Das pétalas de um jornal?

Em qual cratera da Lua
Brotou o seu coração?
Em qual raiz, qual minhoca
Passeia sua cabeça?

No labirinto de espelhos
Qual rosto devo escolher?
Que tempestade se arma,
Sutil perigo no ar?

Menina de olho azul
Como reconhecer
Sob o jardim, uma toca?
Sob o asfalto, um pomar?

Dedicado a: Ritinha, que agora é estrela azul

Quando eu souber como postar audio aqui, adiciono a música em mp3.

~ por Maíra em agosto 2, 2009.

Uma resposta to “lembranças em k7”

  1. Maíra,
    Não querendo ser brega, mas já fazendo esse papel, digo que estava prestes a postar algo parecido no meu blog! Acabo de voltar de um aniversário e meu pai tocou tanta música antiga lá, me deu uma nostalgia e andava a pensar: quero viver como meus pais, cheia de arte, poesia, música e canções. Estou realmente emocionada! É até estranho… Não esperava sentir tanta nostalgia quando meu pai cantou as músicas dele que cresci ouvindo e “vi, vida ali também, pq cada dia é como se fosse ontem somado ao amanhã”.
    Isso são heranças, beijos
    ( e pq não combinar outro encontro, q não seja tão casual mas sê-lo!)

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