cidade do méxico

11 anos atrás minha irmã mais velha se mudou para a Califórnia. Casou, teve filhos e nunca mais cogitou a idéia de voltar para o Brasil. Esse ano, num impulso de saudades, decidi passar pela primeira vez meu aniversário ao lado dela. A última vez que a visitei foi em 2002, o que contribuiu para que ela nem sequer imaginasse a possibilidade desse encontro, que tornei surpresa.

Aproveitei os preços mais baixos das passagens e só depois de adquirir o bilhete de preço mais acessível que percebi o melhor da festa: passaria 12h na Cidade do México, em conexão com São Francisco. Tempo de sobra para um passeio que me desse uma mostra da cara desse país que sempre tive muita curiosidade de conhecer.

Foi assim que, na véspera do meu aniversário de 29 anos, desembarquei na Cidade do México às 7h da manhã. Imediatamente troquei 20 dólares pela moeda local e recebi 244 pesos! Providenciei um locker no aeroporto para deixar minha mochila com laptop e equipamentos mais pesados da câmera fotográfica e peguei um ônibus até o metrô.

metrô

Sempre adorei os grandes centros urbanos. Algo dessa bagunça metropolitana me fascina, como se a desordem autorizasse minhas confusões internas. Um estranho sentimento de alívio e intimidade ocorre rapidamente, como se já conhecesse aquele espaço que conversa tão bem com meu íntimo. É como me sinto em São Paulo e o que experimentei conhecendo Nova York e Buenos Aires. É o que move minha vontade de conhecer Londres, Bogotá, Berlim, Calcutá…

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Não era diferente com a Cidade do México. Tive tempo de dar uma folheada no guia apenas no avião, pois só consegui o visto mexicano no dia da viagem. Tinha em mãos um email de um primo com algumas dicas de lugares para visitar, roteiro que segui e incrementei com improvisos e leituras do guia.

cidade do méxico

Já no caminho para Zócalo, a praça central, pude confirmar a observação do guia para o comportamento machista dos homens de lá. No ônibus, um jovem mexicano se mostrou extremamente solícito. Também desceria no metrô e foi muito gentil em me pagar uma passagem e orientar meu passos entre as baldeações inúmeras do metrô, que tem uma quantidade gigante de linhas que se entrelaçam, abrangendo boa parte do mapa da cidade. Chegou a me apontar a escadaria que levava aos vagões de trem reservados apenas para mulheres e crianças, opção que nem todas as passageiras adotavam. Muitas encaravam os vagões mistos. Quando perguntei ao rapaz o porquê da divisão, explicou que havia muito “touching” nos vagões mistos.

metrô

Não demorou muito para eu perceber o quanto aquela afirmação era verdadeira. Tanto ele quanto outros caras que se aproximaram de mim durante meu passeio breve pela cidade exibiram sorrisos largos, muita simpatia e mãos grudentas. Os mexicanos gostam de tocar a gente, aquilo me incomodou um pouco, mas soube contornar bem a situação.

Catedral Metropolitana

Já na Plaza de la Constituición, conheci a Catedral Metropolitana, que além de ser uma das maiores da América Latina, demorou quase 300 anos para ser concluída. Por conta disso, mistura estilos arquitetônicos e de decoração interna que vão do estilo barroco ao neoclássico.

México

A praça estava tomada por tendas, infelizmente, pois tira a dimensão de seu tamanho e impacto. Um giro pelos arredores e pude notar o tom amarronzado do Centro Histórico, com suas construções de pedras – pedras que foram aproveitadas da destruição da capital asteca pelos espanhóis, diga-se de passagem – e semáforos amarelos.

Algumas quadras de lá, na Alameda Central, subi na Torre Metropolitana, o arranha-céu que proporciona a visão 360 graus da cidade. Nem um pouco próximo do charme do nosso Banespa por fora, porém com uma vista fantástica que não deixa a desejar.

 Casa de Azulejos Casa de Azulejos

Pode-se ver do alto o Palacio Bellas Artes, concebido no início do século XX para ser o teatro nacional, unindo estilo neoclássico e Art Nouveau. Por dentro, é revestido de mármore rosa e um enorme mosaico de vidro. É possível ver alguns importantes murais de Diego Rivera, porém a pintura mais linda que vi dele foi no próprio Museo Mural Diego Rivera, que é onde se encontra Sonho de uma Tarde de Domingo na Alameda Central. A pintura mistura a história do México aos sonhos dos personagens, que incluem desde o guerrilheiro Emiliano Zapata, o próprio Rivera quando criança e Frida Kahlo, que aparece como parte de seu sonho. A figura central do mural é a morte, bastante presente na cultura mexicana. Rico em detalhes, a impressão que passa é que podemos passar um dia inteiro examinando cada pedaço do mural. Tive a sorte de escutar explicações de um guia do museu enquanto estive lá.

michelada

Ainda conheci a Casa de Azulejos, onde almocei, que exibe todo seu charme por dentro e por fora. Mais alguns giros pelo centro e voltei à Plaza de la Constituición. Subi num restaurante com vista para a praça e brindei a véspera do meu aniversário com uma michelada, drink de cerveja servido com gelo, limão e sal na borda da caneca. 

Plaza de la Constituición

~ por Maíra em setembro 22, 2009.

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