do you see what i see?

Esses dias eu conheci o projeto Do You See what I See?, que leva a crianças de campos de refugiados no Iêmen e Namíbia a oportunidade de usar a fotografia para mostrar seu cotidiano e expressar sua visão de mundo. Sempre me emociono com projetos desse tipo e ver as imagens produzidas por jovens desses países, com vidas tão áridas e sofridas, me deixou sem palavras.

Tão tocante quanto as fotografias são os textos que os fotógrafos mirins escrevem para nos contar o motivo que os levou a enquadrar as cenas apresentadas. A curiosidade de observar pessoas idênticas, o retrato da melhor amiga, uma foto feita com um rosto pela metade “apenas para saber se era possível” fotografar assim, fotos de crianças na fila para entrar na escola, limpando a sala de aula, jogando bola revelam a leveza infantil de crianças como outras quaisquer.

Porém, quando nos deparamos com cenas que abordam a condição de refugiado e como essa realidade os afeta, a expressão deles ganha dimensão.

Idalina tem 16 anos e dá à sua foto o título: “Eu estou sozinha neste mundo” e escreve: “Existia uma garota de 10 anos. Ela sempre disse que se sentia solitária nesse mundo. Ela é o rosto que surge da noite. Ela pode ser pequena, mas é seu direito lutar por sua felicidade neste mundo”.

Do you see what I see fez com que esses jovens abordassem a realidade da vida de refugiados com seus pais e amigos. O tema era tabu para muitos deles e a partir da busca pelo olhar fotográfico surgiram os questionamentos, o diálogo com os familiares e a percepção de que suas vidas eram como a de tantos outros no planeta, recheada de dores mas também com espaço para sonhos e felicidade.

Brendan Bannon, o fotógrafo que comandou as oficinas, conta que num certo dia um dos meninos caiu em prantos porque seus pais tinham morrido na guerra. A reação da turma foi chorar junto com o garoto e consolá-lo, fortalecendo o sentimento de grupo.

Esse vídeo traz um belo resumo das imagens e dá uma ideia de como foi a dinâmica dos workshops.

Passei horas olhando as imagens desses meninos e meninas, minha vontade era de estar ao lado deles participando dessas descobertas e de levar suas fotos para os quatro cantos do planeta.

Prisão: “Eu sonhei que estava na prisão. Eu não sei como fui parar lá, eu apenas me encontrei numa grande prisão, com uma enorme cerca” (Manuel, 17 anos, campo de refugiados Osire, Namíbia).

Auto Retrato: “Sou estudante em um campo de refugiados e estou na 5a série. Moro com minha avó desde que meu pai e minha mãe desapareceram. Nós agradeçemos Deus que nos deu nossa avó e nosso tio, que se tornou nosso pai substituto. Nós somos uma família de 21, vivemos todos juntos” (Adnan, 15 anos, campo de refugiados Kharaz, Yemen).

Do you see what I see é um workshop oferecido pela Agência de Refugiados da ONU (UNHCR) e existem formas de ajudar refugiados a conseguirem abrigo. As tendas que eles usam podem significar a diferença que os mantém vivos e o fornecimento delas pode ser ampliado com doações. Só na Somália, mais de 250 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas em 2009 devido a conflitos armados. Muitas viajaram para outros países, como Iêmen, Quênia e Etiópia e vivem em campos de refugiados.

Nesse site, pode-se conhecer um pouco mais sobre a realidade dos refugiados e saber como é possível ajudá-los.

~ por Maíra em abril 24, 2010.

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