A Paris antiga de Atget

Retrato de Atget feito por Berenice Abbott em 1927, ano de sua morte

“Atget no fue un esteta. Era una pasión dominante lo que le empujaba a registrar la vida. Con la lente maravillosa del sueño y la sorpresa, “fue” (es decir, fotografió) prácticamente todo lo que le rodeaba, dentro y fuera de París, con visión de poeta. Como artista veía en abstracto y yo creo que consiguió hacernos sentir lo que veía. Fotografiar, registrar la vida, dominar sus temas, fue tan esencial para él como lo era escribir para James Joyce o volar para Lindbergh…”

Berenice Abbott, 1929

Essa semana tive o privilégio de visitar a exposição Eugene Atget – El Viejo París na Fundación Mapfre. O fotógrafo passou mais de 20 anos fotografando a capital francesa obcecado pelo impulso de registrar a arquitetura, o comércio e os costumes da cidade. O resultado foram milhares de fotografias feitas com uma câmera de placa de vidro 18x24cm que ele nunca substituiu. Os negativos estão todos numerados e identificados com sua letra, a exposição apresenta as ampliações originais feitas por Atgét e em algumas é possível reconhecer as anotações do verso da foto.

Interior da casa de um operário, 1910

Em 1920, já satisfeito com seu trabalho, escreve para o diretor de Bellas Artes pedindo que este compre seus negativos. Sem família, tinha medo que suas imagens se perdessem e não viessem a público cumprir seu papel. Explica ao diretor que tinha registrado todas as ruas velhas de Paris, palácios, mansões históricas, fachadas de prédios e casas, detalhes arquitetônicos e até mesmo interiores de casas. “Puedo decir que tengo en mi poder todo el viejo París”.

Essa parte da exposição me deixou especialmente fascinada por apresentar interiores de casas de pessoas simples, desde operários, atores e pessoas da alta sociedade.

O compromisso pessoal com que assumiu essa larga reportagem sobre Paris me lembrou o ensaio de August Sander sobre Os Homens do Século XX. Sander retratou membros da sociedade alemã de todas as classes e profissões, apontando sua lente para revolucionários, burgueses, homens, mulheres, artistas, operários, crianças, trabalhadores, mendigos, comunistas, ciganos e negros. Seu foco é mais o retrato, porém a ideia de fotografar uma época sistematicamente para construir um registro histórico é um paralelo do que Atget fez em Paris, não apenas com retratos.

August Sander

Era novidade a possibilidade dos fotógrafos levarem suas câmeras às ruas e só mesmo o compromisso artístico pode explicar como esses dois fotógrafos seguiram com seus ensaios por tantos anos, circulando pelas ruas com um equipamento tão pesado.

August Sander produziu um amplo catálogo visual da sociedade alemã no início do século XX. Apesar de censurado durante a era de Hitler e da perda de cerca de 30 mil negativos num incêndio em sua casa em 1946, August seguiu com sua jornada fotográfica. Hoje temos acesso a apenas uma parte de sua produção, que já é preciosa. Imagine o que foi perdido…

Mais informações sobre a exposição de Eugène Atget podem ser vistas no site da Fundación Mapfre.

~ por Maíra em junho 30, 2011.

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