Fotografei você na minha Rolleiflex

Xandra - Madrid / Maíra Soares © 2011

Meu sogro me emprestou sua Rolleiflex essa semana. Outro dia me perguntou se ainda existiam carretes de medio formato (filme 120mm) e comentou que tinha uma câmera guardada e sem uso há anos.

Quando recebi o brinquedinho esses dias, vi que ele estava em perfeito estado. Corri para a página da Rolleiflex e descobri que se trata da série 3.5F Model 3, fabricada entre 1960 e 1964.

No começo do ano eu fiquei algumas semanas com uma Hasselblad emprestada e fiz alguns retratos. Tive a oportunidade de levar a câmera para Paris e fotografar a cidade das luzes com esse clássico aparelho fotográfico. A Hassel me causou alguns transtornos, volta e meia falhava, estava um pouco frágil e chegou a travar na primeira foto que eu fiz durante a viagem. Fiquei com medo de ter entrado numa roubada ao ter pego ela emprestada, mas por sorte me indicaram um fotógrafo que morava na cidade, que gentilmente me recebeu em sua casa numa tarde de sábado e me ensinou alguns truques para lidar com a bichinha.

Paris / Maíra Soares © 2011

Fotografar com uma câmera de médio formato como essas tem um outro tempo. Há quem defenda que a digital só muda o comportamento do fotógrafo porque ele se deixa levar pelo impulso de clicar compulsivamente e checar constantemente o resultado de cada clique. Não necessariamente precisaria ser assim, com a digital na mão poderíamos nos condicionar a esquecer a tela brilhante e pensar mais antes de cada clique.

Maria Isabel - Madrid / Maíra Soares © 2011

Mas existe uma magia em fotografar com película. Existe um tempo próprio. A começar pelo custo de cada fotograma, não queremos desperdiçar uma foto sem elaborá-la bem. Cada carrete tem 12 fotogramas – e não há garantia de que teremos 12 fotos inteiras, a primeira e a última são sempre um risco na hora da revelação, podem ser cortadas ao meio. O resultado é que selecionamos “melhor” antes do clique. Poderíamos nos comportar assim com a digital, mas duvido que os fotógrafos não sintam essa diferença ao migrar de um suporte a outro.

Diego e Sebastian - Madrid / Maíra Soares © 2011

Outro motivo para nos determos durante o ato fotográfico é que demora um tempo para nos acostumarmos com o visor da câmera, que inverte a cena enquadrada. Ainda não me acostumei com esse detalhe e isso me obrigou a insistir em ângulos, enquadrar e reenquadar. Pratiquei pouco com a Hassel, agora estou empolgada para retomar os “estudos” com a Rolleiflex.

Paris / Maíra Soares © 2011

Finalmente, parte do encanto, especialmente para fazer retratos, se dá ao fato de não situarmos a câmera diante dos olhos ao enquadrar o outro. Sem um objeto nos tapando o rosto, mais precisamente com a câmera posicionada na altura do peito, a relação entre fotógrafo e fotografado se torna mais íntima. Esse olho no olho para mim esse é o motivo de maior fascínio destas câmeras.

~ por Maíra em outubro 16, 2011.

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